terça-feira, 24 de novembro de 2009

Vitamina C


Mais uma utilidade

Identificado novo mecanismo pelo qual a vitamina C combate radicais livres

Maria Guimarães

Edição Impressa 134 - Abril 2007

Pesquisa FAPESP -

Consumida (com ou sem base científica) por quem quer evitar um resfriado, a vitamina C é um aliado contra os radicais livres, moléculas que circulam pelo organismo e podem causar danos a compostos que encontrarem pela frente, como DNA ou proteínas essenciais ao funcionamento do corpo. Essa guerra microscópica pode contribuir para a morte de células e ser a origem do envelhecimento e do câncer. Um grupo da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Butantan acaba de revelar uma nova função da vitamina C como antioxidante (ação contra radicais livres). O trabalho, publicado na revista científica PNAS em parceria com a química Ohara Augusto, faz parte da tese de doutorado de Gisele Monteiro, do laboratório de Luis Eduardo Soares Netto, do Instituto de Biociências da USP. A equipe integra o Instituto do Milênio Redoxoma, uma rede que reúne por volta de 200 pesquisadores brasileiros que pretendem entender e controlar os processos de oxidação nas células. O programa Institutos do Milênio, do Ministério da Ciência e Tecnologia, foi criado para patrocinar pesquisas científicas de excelência em áreas estratégicas para o desenvolvimento do país.

Linus Pauling, prêmio Nobel de Química de 1954 que dedicou boa parte da carreira à vitamina C, já desconfiava das suas propriedades antioxidantes. Mas não sabia dos detalhes das reações químicas, que foram descobertos aos poucos. O ascorbato, componente principal da vitamina C, pode reagir diretamente com o peróxido de hidrogênio (água oxigenada) e transformá-lo em moléculas de água inofensivas para o organismo, em vez de perigosos radicais livres. A novidade é a maneira como o ascorbato combate a formação dessas moléculas potencialmente nocivas: além de participar diretamente em reações, ele também recicla moléculas chamadas peroxirredoxinas, que funcionam como catalisadores acelerando a transformação de peróxido de hidrogênio em água.

Esses catalisadores antioxidantes perdem elétrons na reação com o peróxido de hidrogênio, mas continuam disponíveis na célula. Basta ganharem elétrons outra vez, que estão prontos para recomeçar a reciclagem. Mas se houver pouca peroxirredoxina ou se a reciclagem não acontecer na velocidade adequada, a reação trava, como uma ampulheta que não é virada deixa de contar o tempo. O peróxido de hidrogênio é subproduto da respiração celular, portanto existe em todas as células. Para minimizar o efeito tóxico, é preciso concentrações adequadas de moléculas para transformá-lo em água. O ascorbato, assim como moléculas chamadas tióis, constantemente doa elétrons às peroxirredoxinas e com isso lhes devolve a capacidade de agir como antioxidantes.

“Descobrir que a vitamina C atua em conjunto com outros antioxidantes quebrou um paradigma”, diz Netto. Antes disso, acreditava-se que a reação dependia exclusivamente de moléculas chamadas tióis. Mas o pesquisador não recomenda correr para comprar vitaminas ou tomar suco de laranja. “Dados preliminares sugerem que o sistema já funciona no máximo”, explica. É como a engrenagem de um relógio que funciona perfeitamente – um relojoeiro pode tentar adicionar uma peça, mas, se ela não tiver onde se encaixar, não contribuirá para o andamento da máquina.

Função universal – O trabalho do grupo de Netto não só revelou a nova função do ascorbato, mas também mostrou que a reação não é exclusiva de humanos. Ela também ocorre em ratos, plantas, drosófilas e bactérias. Os protozoários Plasmodium falciparum e Trypanosoma cruzi, responsáveis por causar malária e doença de Chagas, parecem aproveitar-se da vitamina C do sangue humano para proteger-se do estresse oxidativo com que o hospedeiro se defende: as células de defesa envolvem o parasita e o bombardeiam com radicais livres, com efeito letal. Para defender-se, o microorganismo precisa de um sistema eficaz de combate aos radicais livres. A descoberta é um primeiro passo para compreender o mecanismo, mas não é ainda base para avanços farmacológicos contra as doenças. “Talvez seja possível inibir alguma proteína específica do parasita, que se tornaria assim mais suscetível à célula de defesa”, especula o biólogo.

Já é um feito e tanto observar reações químicas, invisíveis aos olhos de não especialistas. Mas os pesquisadores não se contentaram com isso: no final de seu doutorado, Gisele conseguiu manipular as proteínas e assim interferir na reação. Existem duas formas de peroxirredoxinas no organismo, mas o ascorbato só recicla uma delas. A pesquisadora alterou a estrutura química da proteína que não interage com a vitamina C e conseguiu criar a afinidade – agora Gisele sabe o que causa essa atração.

Os resultados representam um avanço na compreensão dos processos de combate aos radicais livres. Por ser um trabalho tecnicamente difícil, foi a peça final da tese de Gisele, mas deu certo e tornou-se a parte central do trabalho, que agora ela continua a explorar no pós-doutorado. A bioquímica quer saber qual é a relevância biológica da vitamina C em reações antioxidantes, que ela até agora só examinou em frascos de laboratório. Será que em animais vivos o ascorbato compete com os tióis? “Agora que o paradigma foi quebrado, abriram-se outras portas para investigação”, comemora Netto.

Curiosidades


  • Água Oxigenada

O peróxido de hidrogênio, conhecido popularmente como água oxigenada, pode ser usado como clareador de cabelo. Sua ação baseia-se no fato de que o peróxido reage com o ferro presente no fio de cabelo, formando o radical livre hidroxila. Este, por sua vez, destrói a melanina, que é o pigmento que dá cor aos fios.


  • Ação dos Radicais Livres nos vaga-lumes:

O vaga-lume, um inseto conhecido por produzir luz, na verdade não passa de um ser vivo que sofreu uma adaptação evolutiva contra a intoxicação por radicais livres. A bioluminescência é produzida nos fotócitos através da reação de oxigênio e a sustância luciferina, sendo catalisada pela enzima luciferase.

Esta enzima , no entanto, nada mais é que um antioxidante endógeno, que age esgotando o oxigênio dentro da célula e desta maneira reduzindo a formação de radicais livres. Sua produção é diretamente proporcional à quantidade de oxigênio dentro da célula e determina a luminescência produzida pelo inseto.


Texto retirado do site: http://www.medstudents.com.br/content/resumos/trabalho_radicais_livres.doc

segunda-feira, 23 de novembro de 2009



Retirado do site: http://saude.sapo.pt

Corante de milho



27/5/2009

Por Alex Sander Alcântara

Agência FAPESP – Uma nova pesquisa testou a extração de corantes de milho como alternativa aos corantes sintéticos. O motivo é que, além de não poluir, os corantes naturais podem trazer benefícios à saúde por apresentar pigmentos antioxidantes e anti-inflamatórios.

O estudo foi publicado na revista Ciência e Tecnologia de Alimentos. “O interesse em pesquisas por corantes naturais aumentou consideravelmente nas últimas décadas devido às severas críticas dos consumidores, às restrições impostas pela Organização Mundial da Saúde e outras instituições aos corantes sintéticos”, destacam os autores.

De acordo com Elias Basile Tambourgi, professsor da Faculdade de Engenharia Química da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e um dos autores do artigo, além do uso em corantes de alimentos e de tecidos, o milho é uma fonte de antocianinas, pigmentos pertencentes ao grupo dos polifenóis – compostos responsáveis por dar cores aos vegetais.

As antocianinas atuam como agente antioxidante que age na inibição dos radicais livres, atuando na prevenção de doenças degenerativas como o câncer. Além disso, melhoram a adaptação à visão noturna, prevenindo a fadiga visual. São usadas como anti-inflamatório e também já foram aplicadas no tratamento contra obesidade e hiperglicemia”, disse Tambourgi à Agência FAPESP.

O pesquisador ressalta a necessidade de mais pesquisas a fim de destacar a importância das antocianinas na dieta humana. “Além disso, precisamos melhorar as metodologias de extração (quantificação e identificação), obter a composição e compreender a funcionalidade das fontes naturais”, disse.

No novo estudo, foram utilizadas duas variedades nativas de milho (Zea mays L.) peruano, roxa e vermelha, adquiridas em fazendas a cerca de 150 quilômetros ao sul de Lima. Segundo o estudo, o corante do milho roxo tem se mostrado estável.

“Chegamos a realizar testes de fixação em produtos têxteis, como algodão. O que mais chama a atenção é seu uso artesanal no Peru, na coloração de roupas. Podemos notar que esses produtos apresentam forte cor roxa, e não se deterioram ao longo do tempo, nem mesmo pela ação do calor”, disse.

Métodos de extração

Os autores destacam que as antocianinas do milho roxo foram usadas pelos incas na preparação de bebidas e no tingimento de fibras têxteis. “Eles obtinham os pigmentos de forma artesanal, utilizando processos mecânicos através de atrito e raspagem da semente”, apontam.

“Embora existam pesquisas indicando significativos avanços e benefícios das antocianinas extraídas do milho roxo, até o presente momento não conhecemos estudos sobre novas metodologias de extração desses pigmentos livres das substâncias químicas tóxicas”, ressaltou.

Nos testes foram utilizados três métodos de extração: por imersão, por lixiviação e por supercrítica, que consiste em explorar as propriedades críticas do dióxido de carbono (comportamento de fluido) como solvente e promover o seu contato com o soluto, utilizando-se uma forma estática de extração.

Nos dois primeiros processos foram utilizados água deionizada, etanol, metanol, éter de petróleo, ciclo hexano e isopropanol como solventes, todos de grau analítico. E tanto no primeiro como no segundo método, o etanol foi o solvente com maior rendimento de extração dos pigmentos.

Os resultados apontaram ainda que a lixiviação (com algumas modificações) foi o método mais eficiente nas extrações dos corantes, com aproximadamente 88% de antocianinas, assim como na recuperação dos solventes.

“Mas como os dois primeiros métodos são simples, baratos e fáceis de serem aplicados, também apresentaram bons resultados. A extração do pigmento roxo pode ser realizada de modo simples e com solvente (etanol) disponível no mercado”, disse o professor da Unicamp.

Tambourgi coordenou diversos projetos apoiados pela FAPESP, entre os quais “Purificação de amilases de Zea mays para a aplicação na hidrólise de amido para uso na indústria alcooleira”, na modalidade Auxílio a Pesquisa – Regular.

O novo estudo foi feito com Felix Martin Cabajal Gamarra, da Faculdade de Engenharia Química, e Edison Bittencourt, do Departamento de Tecnologia de Polímeros, amboa da Unicamp, e com Gisele Costa Leme, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).


Texto retirado do site: http://www.agencia.fapesp.br/materia/10553/especiais/corante-de-milho.htm

Tipos de Antioxidantes

Existem dois tipos de antioxidantes:

1) Não-enzimáticos:

  • Vitamina E - Inibe a peroxidação lipídica e formação de radicais livres. Foi constatado que dieta rica em vitamina E pode proteger contra o mal de Parkinson.

Principais fontes: Grãos, ovos, óleos vegetais e folhas verdes.

  • Beta- caroteno (precursor da vitamina A) - As altas doses de suplementos dessa vitamina têm sido associadas ao aumento da incidência de câncer pulmonar entre os fumantes.

Principais fontes: Óleo de fígado de peixe , fígado de outros animais , frutas verdes e amarelas, hortaliças.

  • Vitamina C - Sua principal função é a de hidroxilação de colágeno. Está relacionado com a síntese de moléculas que servem como hormônios ou neurotransmissores. É extremamente instável, portanto a ingestão de alimentos que contenham essa vitamina deve ser rápida. Na presença de alguns metais de transição, como por exemplo o ferro, pode atuar como molécula pró-oxidante, ou seja, pode gerar radicais livres.

Principais fontes: Abacaxi, acerola, agrião, laranja, limão, rúcula e espinafre.

  • Flavonóides - Grupo de fitonutrientes, que são polifenóis de baixa massa molecular. Podem apresentar atividade pró-oxidativa em determinadas condições. Atua tanto em meio hidrofílico quanto hidrofóbico.

Pesquisa: Knekt et al. (1997) encontraram uma relação inversa entre o consumo de flavonóides na dieta e o desenvolvimento de tumores em indivíduos na faixa etária de 50 anos e não-fumantes. Os autores observaram que entre as muitas fontes de flavonóides da dieta, o consumo de maçãs apresentou os melhores resultados na prevenção do desenvolvimento de tumores no pulmão.

Rev. Nutr. vol.12 no.2 Campinas May/Aug. 1999

2) Enzimáticos:

  • Superóxido dismutase – Catalisa a reação do oxigênio parcialmente oxidado + H+, tendo como produto O2 e H2O2.
  • Catalase – Catalisa a reação que converte H2O2 em O2 e H2O.
  • Glutationa peroxidase - Apresenta Selênio na sua composição. Os peróxidos são reduzidos pela glutationa a partir da ação da glutationa peroxidase, formando água ou alcoóis.

sábado, 21 de novembro de 2009

Antioxidantes


Os antioxidantes são moléculas que tentam inibir os danos causados pelos radicais livres. Analisando-se o significado de antioxidantes, percebemos que são moléculas que evitam a oxidação de outras moléculas, pois se ligam aos radicais livres. A defesa antioxidante não inativa os radicais livres produzidos, apenas ameniza o seu efeito, pois é responsável também por algumas funções biológicas, tais como combate a inflamações, coagulação e cicatrização.

Sabe-se que pessoas que consomem frutas e verduras, os quais são ótimas fontes de antioxidantes, têm risco mais baixo de ter doenças cardíacas, algumas doenças neurológicas e também previnem contra certos tipos de câncer.

No entanto, pesquisas que investigam os benefícios dessas moléculas, observaram que o consumo de suplementos antioxidantes não tem nenhum efeito claro sobre a prevenção desses tipos de doenças.

O fato sugere que outras substâncias presentes em frutas e vegetais, ou mesmo uma mistura complexa de substâncias, é que estão relacionadas à prevenção de certos tipos de doenças.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Projeto dos Painéis

Aqui está o Projeto com que ganhamos o direito de apresentar sobre Radicais Livres, Antioxidantes e Ferro.


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            Radicais livres e antioxidantes são, hoje, um dos temas de saúde mais discutidos pela população em geral. Novas pesquisas e teorias levaram a anteriormente restrita ao meio acadêmico discussão sobre seus efeitos e benefícios ao dia-a-dia daqueles preocupados em envelhecer com saúde. Por ser um tema tão presente em nossa realidade e com tantos ramos de expansão, nosso grupo o escolheu para fazer os painéis e o blog.
            O trabalho seria dividido em 4 frentes principais, cada uma correspondendo a um ou dois painéis. As frentes são grupos de assuntos com enfoque comum, para guiar a discussão.
            A primeira frente compreende as informações básicas sobre os “radicais livres”, passando por uma definição formal e hipóteses aceitas sobre suas origens. O objetivo desta parte é fornecer uma visão geral sobre o tema.
            Em seguida, muda-se o enfoque para os efeitos de radicais livres no organismo. Isso abrange alterações na estrutura de células e as conseqüências gerais destas modificações. Dentro desta parte está a “Teoria do envelhecimento por radicais livres”, proposta pela primeira vez por D. Harman em 1956. Ainda há a discussão dos radicais livres como causadores do câncer.
            A terceira parte envolve dois painéis e relaciona os radicais livres com as mais diversas doenças. Há  indícios de que doenças como a aterosclerose, Parkinson, Esquizofrenia, Alzheimer, Surdez senil e muitas outras relacionadas ao envelhecimento sejam causadas por oxidações em substâncias do corpo. Esses assuntos serão explorados, assim como  as associações dos radicais livres com os sintomas da hematocromatose (acúmulo de ferro), que incluem distúrbios de movimento, psicose, anormalidades na pigmentação da pele e diabete mellitus.
            A parte final corresponde ao controle dos radicais livres no organismo. Esse campo se divide em dois: fatores endógenos e fatores exógenos. Os fatores endógenos se constituem em mecanismos internos do corpo para conter radicais livres indesejados, por exemplo por ação enzimática. Os fatores exógenos são aqueles externos ao corpo, que propiciam ou inibem a atividade dos radicais. Aí entra a alimentação, incluindo antioxidantes em alimentos como os flavonóides e a vitamina C. Entram também hábitos que propiciam a formação de radicais livres, como a exposição à radiação e o cigarro.
            A apresentação terá por base os painéis, além de diversas outras fontes de pesquisa, como artigos científicos disponíveis na internet e livros. O blog conterá toda a informação da apresentação, acrescido de mais artigos e matérias atuais relacionadas ao tema, contextualizados e adaptados pelos integrantes do grupo.
            O que se pretende demonstrar com as apresentações é que a informações sobre radicais livres e antioxidantes são essenciais àqueles que desejam saúde duradoura. O grupo espera mostrar que a bioquímica tem impacto direto na vida diária das pessoas comuns, refletindo-se na qualidade de vida individual através de hábitos saudáveis.
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Painéis

Para começar o blog, aqui estão os painéis que fizemos. A apresentação foi no dia 12/11/2009.